Oeste da Bahia: Embrapa e Abapa fecham nova parceria para fornecer alertas sobre doenças nas lavouras
Publicado em: 13/08/2019

A Embrapa e a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) fecharam parceria para o desenvolvimento de um aplicativo e um sistema de informações geográficas na web (webgis) para mostrar, no mapa e em gráficos, quão favorável ou não um ambiente está para a proliferação de doenças nas lavouras. Com isso, os agricultores terão informação para decidir quando e quanto investir em medidas para combater o problema, como a aplicação de defensivos. A iniciativa também contempla o acompanhamento do balanço hídrico da região.

Recém-aprovado pelo Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) o projeto tem duração prevista de dois anos. É liderado pela Embrapa Territorial (SP) e será direcionado inicialmente para a região oeste da Bahia e para duas doenças que afetam as principais culturas locais: a ferrugem da soja e a mancha da ramulária do algodão.

Por isso, integram o projeto outras duas iniciativas da Empresa e parceiros no combate a essas duas ameaças: o Consórcio Antiferrugem, coordenado pela Embrapa Soja (PR), e a Rede de Pesquisa de Ramulária, que tem à frente a Embrapa Algodão (PB). Conta ainda com a parceria da Embrapa Informática Agropecuária (SP) e da Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE).

Agricultores serão informados por aplicativo

Os pesquisadores vão utilizar informações das estações meteorológicas dos agricultores, combinadas com imagens de satélite e dados de ocorrência das doenças. A partir daí, será calculado e divulgado pelo aplicativo e pelo site quão favorável à proliferação dos agentes causadores é o momento. Estão previstas atualizações diárias.

O pesquisador da Embrapa Territorial Julio Cesar Bogiani explica que três fatores são necessários para a proliferação de doenças nas lavouras: presença do agente causador, dos hospedeiros (as plantas) e condições climáticas favoráveis. “O ambiente é altamente determinante para a favorabilidade da doença”, explica.

No caso da soja, o Consórcio Antiferrugem já publica os números e locais de ocorrência e dispõe de série histórica. Esses dados serão combinados aos meteorológicos para gerar índices de favorabilidade a serem utilizados pelos agricultores.

“A interligação com a rede de estações será uma ferramenta a mais para auxiliar o produtor nas tomadas de decisões no manejo da doença porque interliga o triângulo de relações hospedeiro x patógeno x ambiente. Com os sistemas interligados, pode ser feita a validação de modelos de previsão, buscando desenhar mapas de favorabilidade para a região, a partir de dados locais”, avalia a pesquisadora da Embrapa Soja Cláudia Vieira Godoy, da coordenação do Consórcio.

Já a rede de pesquisa que estuda a ramulária é recente. Há dados de uma safra completa e, até o lançamento do aplicativo e do webgis, pelo menos mais uma terá sido monitorada. De acordo com o coordenador da rede, o pesquisador da Embrapa Algodão Alderi Emídio de Araújo, a abrangência dos dados levantados permitirá determinar que condições de clima favorecem o aumento da intensidade da doença.

Ele conta que os ensaios com defensivos e monitoramento de possíveis mutações no fungo causador da ramulária acontecem em área que representa 90% da produção brasileira da fibra, para a qual são registradas informações sobre a intensidade da doença e as condições climáticas. “Com esses dados, é possível estabelecer correlações entre o ambiente e o desenvolvimento da ramulária no campo”, explica.

Tempo certo para aplicações

Bogiani diz que, atualmente, os produtores têm ficado dependentes dos calendários definidos pelos fabricantes de defensivos para decidir quando aplicar produtos contra as doenças. “Mas, muitas vezes, ele precisaria ter feito as aplicações um pouco antes ou depois, dependendo das condições climáticas”, ressalta. Ao fim do projeto, a equipe espera entregar a eles uma ferramenta para que tomem decisões com base em informações qualificadas sobre quão favorável está o ambiente, na região dele, para a proliferação da ferrugem ou da ramulária.

“Com essas informações, vamos criar um sistema de alerta para que os produtores possam fazer o controle do fungo com maior assertividade, aumentando a produtividade e reduzindo o custo das lavouras de algodão”, reforça o presidente da Abapa, Júlio Cézar Busato, que tem grandes expectativas no uso da ferramenta para o combate à mancha da ramulária. “O alerta será emitido e os produtores podem trabalhar estratégias de prevenção e combate com a aplicação de fungicida. Caso as condições não sejam favoráveis para o desenvolvimento do fungo e, consequentemente, da doença, os defensivos agrícolas não serão aplicados, gerando, assim, economia para o produtor”, prevê.

Rede de estações meteorológicas

Passo fundamental para o sucesso do projeto será interligar em rede as estações meteorológicas dos agricultores que aderirem ao projeto. Isoladas como estão hoje, não são capazes de compartilhar as informações necessárias para a equipe. Os pesquisadores farão visitas-técnicas à região, inicialmente para avaliar as estações e, posteriormente, para validar no campo as informações geradas a partir dos dados processados pelos modelos. O pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa Territorial, destaca a importância de conectar as estações já existentes nas propriedades. “As estações isoladas trazem informações para um agricultor; em rede, atendem a toda uma região, permitindo melhorar as previsões de tempo, clima e gerar os demais produtos desse projeto com maior precisão”, frisa.

O projeto também prevê o uso dos dados das estações meteorológicas e imagens de satélite para medir a evapotranspiração nas áreas de plantio, por meio do SAFER (Simple Algorthm for Evapotranspiration Retrieving). Algoritmo desenvolvido pela Embrapa Territorial, ele permite calcular a perda de água do solo pela evaporação e das plantas pela transpiração. Assim, será possível acompanhar a evolução do balanço hídrico na região.

Serão criados modelos automáticos para que as informações também fiquem disponíveis aos agricultores no aplicativo. De acordo com a pesquisadora Janice Leivas, o uso do método para monitorar de perto uma área relativamente pequena como o oeste da Bahia é um diferencial do projeto. Normalmente, esse tipo de iniciativa envolve escalas muito maiores, até globais.


FONTES: Embrapa Territorial / aiba.org.br



<< voltar


Ir para o topo