IBGE: PIB recua 0,1% no 2º trimestre do ano; agropecuária cai 2,8%

O Produto Interno Bruto (PIB) variou -0,1% na comparação do segundo trimestre de 2021 com o primeiro trimestre do ano, na série com ajuste sazonal. A maior queda foi da agropecuária (-2,8%), seguida pela indústria (-0,2%). Paralelamente, os serviços cresceram 0,7%.


Publicado em: 02/09/2021
Entre as atividades industriais, o desempenho foi puxado pelas quedas de 2,2% nas indústrias de transformação e de 0,9% na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e atividade de gestão de resíduos. Essas quedas compensaram a alta que houve de 5,3% nas indústrias extrativas e 2,7% na construção.



Nos serviços, houve resultados positivos em informação e comunicação (5,6%), outras atividades de serviços (2,1%), comércio (0,5%), atividades imobiliárias (0,4%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (0,3%) e transporte, armazenagem e correio (0,1%). Houve também estabilidade para administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,0%).

Pela ótica da despesa, a formação bruta de capital fixo (-3,6%) apresentou queda, a despesa de consumo das famílias (0,0%) ficou estável e a despesa de consumo do governo (0,7%) cresceu em relação ao trimestre imediatamente anterior.

No setor externo, as exportações de bens e serviços tiveram crescimento de 9,4%, enquanto as importações de bens e serviços recuaram 0,6% em relação ao primeiro trimestre de 2021.



PIB cresce 12,4% frente ao 2º trimestre de 2020

Quando comparado a igual período do ano anterior, o PIB teve crescimento de 12,4% no segundo trimestre de 2021. O valor adicionado a preços básicos teve alta de 11,7% e os impostos sobre produtos líquidos de subsídios avançaram em 16,8%.

A agropecuária cresceu 1,3% em relação a igual período de 2020. Este resultado pode ser explicado, principalmente, pelo desempenho positivo de alguns produtos da lavoura com safra relevante no segundo trimestre, como a soja (9,8%) e o arroz (4,1%). Em contrapartida, houve recuos nas estimativas de produção anual das culturas de café (-21,0%), algodão (-16,6%) e milho (-11,3%). As estimativas para pecuária e produção florestal apontaram contribuição positiva para a agropecuária neste trimestre.

A indústria cresceu 17,8%. Nesse contexto, a atividade indústrias de transformação registrou o melhor resultado com alta de 25,8%, influenciada, principalmente, pelo avanço na fabricação de veículos automotores; de outros equipamentos de transporte; de máquinas e equipamentos; e da metalurgia.

A alta na atividade de construção (13,1%) foi corroborada pelo aumento do número de pessoas ocupadas no setor e da produção de seus insumos típicos. Esta atividade voltou a ter resultado positivo após cinco trimestres consecutivos de queda.

Indústrias extrativas apresentou variação positiva de 7,0%, resultado do aumento na extração de minérios ferrosos, uma vez que a extração de petróleo e gás cresceu menos no período.

A atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos apresentou alta de 6,7% devido à maior atividade da economia como um todo, já que o segundo trimestre de 2020 foi o auge das restrições durante a pandemia da covid-19. Este movimento foi capaz de compensar até mesmo o momento com bandeiras tarifárias mais desfavoráveis.

O setor de serviços avançou 10,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os melhores resultados se deram em transporte, armazenagem e correio (25,3%) e comércio (20,9%). As demais atividades também apresentaram resultados positivos: outras atividades de serviços (16,1%), informação e comunicação (15,6%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (4,1%), atividades imobiliárias (3,5%) e atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,4%).

A despesa de consumo das famílias cresceu 10,8%, explicada pelo efeito base, já que é contra o trimestre com os maiores efeitos da pandemia sobre a economia, além dos programas de apoio do governo do aumento do crédito a pessoas físicas. Paralelamente, houve aumento das taxas de juros e, mesmo com o aumento das ocupações na economia, a massa salarial, afetada negativamente pelo aumento da inflação, caiu em relação ao segundo trimestre de 2020.

A formação bruta de capital fixo avançou 32,9% no segundo trimestre de 2021, explicado pelos resultados positivos da produção interna e importação de bens de capital, além da construção. A despesa de consumo do governo subiu 4,2% em relação ao segundo trimestre de 2020.

No setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 14,1%, ao passo que o crescimento das Importações de bens e serviços foi de 20,2% no segundo trimestre de 2021. Dentre as exportações de bens, o crescimento é explicado, principalmente, pelo acréscimo em produtos agrícolas, indústria automotiva, máquinas e equipamentos e minerais não metálicos. Por outro lado, as importações cresceram principalmente devido ao acréscimo nas compras de veículos automotores, máquinas e equipamentos, siderurgia e refino de petróleo.

PIB cresce 1,8% no acumulado em quatro trimestres

O PIB acumulado nos quatro trimestres terminados em junho de 2021 cresceu 1,8% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Esta taxa resultou da alta de 1,6% do valor adicionado a preços básicos e de 2,8% nos impostos sobre produtos líquidos de subsídios. O resultado do valor adicionado nesta comparação decorreu dos seguintes desempenhos: agropecuária (2,0%), indústria (4,7%) e serviços (0,5%).

As atividades industriais com crescimento foram indústrias da transformação (8,1%) e eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (3,5%) se expandiram. Já a construção (-0,7%) e as indústrias extrativas (-0,2%) sofreram contração.

Nos serviços, houve altas em: comércio (5,7%), informação e comunicação (5,4%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (3,9%), atividades imobiliárias (3,4%) e transporte, armazenagem e correio (1,5%). As quedas foram: outras atividades de serviços (-4,9%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-2,5%).

Na análise da despesa, a formação bruta de capital fixo (12,8%) teve variação positiva pelo segundo trimestre consecutivo. Paralelamente, a despesa de consumo das famílias (-0,4%) e a despesa de consumo do governo (-2,6%) tiveram variações negativas.

No setor externo, as exportações de bens e serviços apresentaram alta de 2,4% e as importações de bens e serviços apresentaram queda de 1,7%.

Primeiro semestre tem alta de 6,4% no PIB

O PIB no 1º semestre de 2021 cresceu 6,4% em relação a igual período de 2020. Nesta base de comparação, houve desempenho positivo para a agropecuária (3,3%), a indústria (10,0%) e os serviços (4,7%).

Taxa de Investimento foi de 18,2% no 2º trimestre

A taxa de investimento no segundo trimestre de 2021 foi de 18,2% do PIB, acima do observado no mesmo período do ano anterior (15,1%). A taxa de poupança foi de 20,9% no segundo trimestre de 2021 (ante 15,7% no mesmo período de 2020).

A capacidade de financiamento alcançou R$ 81,4 bilhões ante R$ 35,7 bilhões no segundo trimestre de 2020. O aumento da capacidade de financiamento é explicado, principalmente, pelo aumento no montante de R$ 55,1 bilhões no saldo externo de bens e serviços.
FOTO: Divulgação/Farsul
FONTES: Da Agência IBGE Notícias / agroemdia.com.br



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