Falta de dessecante trará prejuízos à safra brasileira de soja, diz Aprosoja

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) alerta, em nota divulgada nesta terça-feira (18), para a ameaça de prejuízos à safra de soja em consequência da falta de produto adequado para dessecação, que é a aplicação preparatória de herbicida para deixar a lavoura uniforme para a colheita do grão.


Publicado em: 21/01/2022

Segundo a Aprosoja Brasil, “o problema passou a atormentar os produtores desde que a Anvisa baniu o uso e a comercialização do Paraquat em setembro de 2020. A decisão obrigou os agricultores a buscarem herbicidas similares no mercado, embora apenas o Diquat tenha a mesma função e a mesma qualidade”.

No entanto, a grande demanda pelo Diquat não tem sido atendida pela indústria, diz a Aprosoja. Conforme a associação, a Syngenta, titular do registro, emitiu nota em 23 de dezembro de 2021 informando não haver produto em quantidade disponível no mercado para atender a demanda brasileira.

“A empresa, inclusive, não está cumprindo com as vendas já efetuadas e não tem o produto para entregar. A Aprosoja Brasil tem recebido reclamações de produtores de todo o país que compraram e ainda não receberam o produto.”

Liberação emergencial

“Diante desse impasse, a Aprosoja Brasil solicita ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento [Mapa] a liberação emergencial do registro de herbicidas para a importação direta de Diquat, de modo a permitir que os produtores de soja possam fazer a dessecação desta safra”, enfatiza a nota. Na avaliação da entidade, seria importante lançar mão de produtos que estiverem disponíveis em países do Mercosul. A associação informa ter “conhecimento de que existem empresas no Brasil aguardando a liberação do registro de produtos com o mesmo princípio ativo do Diquat, assim como empresas no Paraguai e de outros países que também possuem disponíveis produtos no mesmo percentual de princípio ativo. Por isso, pedimos a liberação urgente”.

A Aprosoja Brasil defende também a liberação emergencial do uso do Paraquat, seguida de revisão da decisão da Anvisa que baniu o produto. A entidade acredita que esta é a única forma de resolver os problemas das safras futuras. “Caso contrário, os produtores brasileiros continuarão tendo prejuízos com a perda de qualidade da soja produzida e em desvantagem frente aos principais concorrentes, que continuam aplicando o herbicida Paraquat”.

De acordo com a Aprosoja Brasil, a ausência de produto trouxe impacto no bolso do produtor rural, com uma elevação de mais de 300% do seu valor, cotado em dólar, devido à falta de produto concorrente. “Atualmente um litro do produto custa mais de R$ 100, enquanto na safra passada custava em torno de R$ 30. Além do custo mais elevado ao sojicultor, o risco de perder a produção e a qualidade dos grãos também é do país, com perda de divisas nas exportações.”

Medidas de segurança

Segundo a associação, a Anvisa argumentou à época que o banimento do Paraquat era necessário pelo fato de se tratar de um herbicida altamente tóxico e com riscos desconhecidos à saúde do aplicador. “No entanto, ao emitir a Resolução 177 [21.9.2017], a própria Anvisa passou a exigir medidas restritivas com o objetivo de garantir a segurança dos aplicadores, entre elas a aplicação apenas com veículo de cabine fechada, a proibição para pulverizações aéreas e o veto ao uso de bomba costal. Ou seja, os problemas apontados estavam resolvidos com a obrigatoriedade de medidas de segurança para produtores e trabalhadores no campo.”

A Aprosoja Brasil acrescenta: “Importante lembrar que o uso do Paraquat ainda permitido nos Estados Unidos e na Argentina, que são os principais concorrentes do Brasil em cultivo de soja. Recentemente, o Paraquat foi reavaliado e seu uso mantido no Canadá e na Austrália, onde não foram identificados e comprovados danos à saúde quando a aplicação cumpre as exigências de aplicação, as mesmas definidas para o Brasil”.

Na nota, a Aprosoja enfatiza também que “o banimento do Paraquat e a falta de Diquat obrigaram os produtores a usarem produtos que não são adequados para a dessecação de soja, o que deixa claro que a agência ignorou em sua decisão o impacto regulatório para as boas práticas agronômicas e a elevação de riscos com o uso dos produtos alternativos. A proibição ocorreu mesmo após a Aprosoja Brasil ter apresentado evidências de que não havia disponíveis substitutos à altura do Paraquat”.

A Aprosoja Brasil termina a nota questionando a decisão da Anvisa: “A pergunta que fica é: a Anvisa vai arcar com os prejuízos que os produtores rurais estão tendo? E a conta da sociedade, que amargará pressões inflacionárias cada vez maiores com a queda de produtividade da soja, quem vai pagar?”


FONTE: agroemdia.com.br



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