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Agro dá show de sustentabilidade

Publicado em: 18/06/2024

O “S” da sigla BFS, que faz alusão à Bahia Farm Show, pode ria perfeitamente fazer referência à sustentabilidade. Nos cinco dias da maior feira agrícola do Norte e Nordeste, diversas iniciativas e tecnologias apresentadas para os milhares de visitantes – 62 mil até quinta-feira, com a perspectiva de ultrapassar os 102 mil – indica ram que cada vez mais o agronegócio baiano quer não apenas ser sustentável, mas também comprovar isto para a sociedade.

Na última quinta-feira (dia 13), o presidente da BFS, Odacil Ranzi, anunciou que a Associação Baiana dos Produtores e Irrigantes (Aiba), também presidida por ele e entidade responsável pela organização da feira agrícola, será a primeira entidade representativa do agro brasileiro a promover uma certificação em ESG (agenda de sustentabilidade – ambiental, social e de governança). Foi o ponto alto de uma série de indicações quanto ao comprometimento do agronegócio com a sustentabilidade.

No primeiro dia da feira, foi apresentada a nova edição do Plano Estadual de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas na Agricultura para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono da Bahia (Plano ABC+). O programa promove a descarbonização da produção de alimentos, mas o tema esteve presente também em soluções que otimizam o uso de recursos, como a água, e aumentam a produtividade, o que, além de trazer melhores retornos para os produtores, permite o uso de menos área e ainda assim conseguir bons resultados.

O documento recebe contribuições de 25 entidades. Em sua primeira edição, o plano evitou a emissão de 170 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera em todo o Brasil, com cerca de 11% de participação baiana no resultado. A meta para 2030 é chegar a 1 bilhão de toneladas evitadas. Na Bahia, espera-se que o uso da técnica do plantio direto alcanceem1, 2 milhão de hectares, além de estimular o plantio de 700 mil hectares de florestas, que absorvem carbono enquanto crescem.

O projeto avalia as modificações na emissão e captura de CO2 nos solos do cerrado das microrregiões produtoras e conta com o apoio fundamental dos produtores rurais da região.

“No oeste da Bahia, sabemos que, há pouco mais de 40 anos, essas terras, bastante arenosas, eram consideradas impróprias para a agricultura, principalmente com a técnica do sistema do plantio direto pudemos fixar carbono no solo”, disse Luiz Antônio Pradella, coordenador da Bahia Farm Show. Estima-se que atualmente 98% dos produtores as sociados à Aiba já fazem uso desta forma de plantio.

“As experiências exitosas que nós encontramos na região Oeste precisam ser leva das para o restante da Bahia, que é um estado imenso e pode dar uma enorme contribuição para o Brasil e o mundo”, acredita Fábio Rodrigues, superintendente federal de Agricultura da Bahia. “Os resultados que já obtivemos mostram que a ideia de que a agricultura produz destruindo o meio ambiente é falsa. Em 2030, iremos provar novamente que o campo produz com sustentabilidade”, aposta.

AQUÍFERO

Há alguns anos, os produtores, em parceria com o poder público, iniciaram um trabalho de monitoramento do aquífero Urucuia, para ter segurança quanto ao uso da água da região. “Nós entendemos que precisamos usar os recursos de maneira a manter o copo sempre cheio”, diz Ranzi.

Ele destaca que a grande novidade nesta edição da feira não foram as práticas sustentáveis, mas, sobretudo, uma decisão dos produtores de mostrar mais aquilo que fazem. “Este tema, da sustentabilidade, do ESG, é fundamental e nós já vivemos isso. O que queremos enfatizar a partir de agora é a comunicação disso. A Aiba é pioneira com a certificação, que vai comprovar de maneira independente tudo o que já é realizado”, enfatizou durante um painel sobre o ESG no campo, que foi mediado pela jornalista Georgina Maynart.

“Aqui na Bahia, nós temos uma média de 35% de nossas áreas intocadas”, exemplifica Ranzi, lembrando que o Código Florestal Brasileiro estabelece para a região a necessidade de preservação de 20% . “Todos os nossos associados são obrigados a assumir o compromisso de preservar as reservas legais e as áreas de proteção permanentes que eventualmente estejam dentro de suas terras. Este é um tipo de compromisso que não existe em nenhum outro lugar do mundo”, explica. “Eu acredito que a imensa maioria dos produtores já está adequada ao ESG, o que esta nossa certificação trará é apenas uma comprovação disso, além de fortalecer o nosso compromisso”, completa.

VITRINE

Para Ranzi, a BES cumpre papel central na difusão das boas práticas agrícolas, ao funcionar como uma enorme vitrine. “A Bahia Farm Show nos ajuda muito porque multiplica as coisas que fazemos com excelência”. Em seu último ano de mandato como presidente da Aiba, Ranzi comemora o fortalecimento institucional da entidade e o crescimento do evento. Após dois anos sem ser realizada por conta da covid, a feira retornou em 2022 com 220 expositores. Dois anos depois, o número aumentou para 438. Ele contabiliza ainda diversas melhorias estruturais na feira e na Aiba.

Ele acredita que nos próximos anos o desafio do agro é o de se abrir ainda mais e estar cada vez mais preparado para dialogar com a sociedade, sempre com muita transparência. “Existem muitas batalhas a serem travadas porque somos muito bons no que fazemos e estamos entrando em mercados que nunca estivemos antes. Precisamos estar prontos para provar que fazemos isso com responsabilidade”, analisa.

“Vivemos em um momento em que há muita informação disponível, mas é fundamental que possamos trocar experiências e aprender uns com os outros”, destaca o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Luiz Carlos Bergamaschi.

Ele lembrou que a cultura possui um selo de sustentabilidade, o ABR, e que 86% dos produtores baianos já estão enquadrados nas regras, cuja importância é também de natureza econômica. Na área social, um dos destaques é a capacitação e treinamento de mais de 90 mil pessoas. “Ser sustentável é o que garante produtividade e a perenidade da atividade. E não estamos falando apenas de tecnologia, ou de comprar máquinas. Nós estamos prontos para provar que a agricultura é sustentável e responsável”, diz.

Segundo ele, a Abapa se prepara para divulgar um estudo sobre o retorno social dos seus projetos. “A cada R$ 1 que investimos, o retorno social é de R$ 3, 53”, afirma. Bergamaschi falou ainda sobre a importância do esforço que o campo tem feito para mostrar a quem vive nas áreas urbanas tudo o que vem sendo feito nas zonas rurais.

O PROJETO DE CONTEÚDO DO BAHIA FARM SHOW É UMA REALIZAÇÃO DO JORNAL CORREIO COM O PATROCÍNIO DA AIBA.

Nesta edição, os produtores decidiram mostrar mais aquilo que fazem pelo meio ambiente

Fazendas do oeste baiano se destacam nacionalmente pelo uso de novas tecnologia

A aceitação de novas tecnologias no mercado agrícola está intimamente relacionada à sua capacidade de melhorar o desempenho agrícola, o que tem impacto direto na produtividade das propriedades, ressalta Fábio Martins, presidente da Assomiba, entidade que representa os revendedores e concessionários de máquinas no oeste da Bahia. “Este é um momento sempre de grandes expectativas para nós, porque baliza o que será o nosso ano de trabalho”, explica.

As exportações do agronegócio no nordeste brasileiro somaram US$ 967,7 milhões em janeiro de 2024, segundo levantamento realizado com base nas informações do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A Bahia liderou a exportação nesta região, com um montante de US$ 521,4 milhões, valor que representa um aumento de cerca de 56% nas vendas externas do estado em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Baldan escolheu a feira para apresentar duas novidades ao mercado do Matopiba, região agrícola formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e o Oeste da Bahia. Especializada em equipamentos para preparo de solo e a empresa ingressou há três anos no mercado de pulverização. Como alternativa para o preparo, a Baldan levou o Ruubi, nova versão de sua grade aradora super pesada. Para pulverização, a novidade foi o Avola, com capacidades para até 3,5 mil litros.

“Consideramos a Bahia um estado estratégico para nós, pois a região apresenta em sua característica um solo diferente devido a poucas chuvas, o que demanda máquinas mais pesadas, de grande porte, para áreas mais extensas”, destaca Fernando Capra, CEO da Baldan. Os estados do Norte e do Nordeste respondem atualmente por 35% das vendas da empresa.

Juliano Salvador, gerente de plantio da Baldan, explica que o desafio na área é o mesmo desde o início da história da agricultura: abrir o espaço corretamente e inserir as sementes da forma mais eficiente possível. Toda a evolução em séculos de agricultura aconteceu em torno da melhoria deste processo. “A demanda crônica na oferta de mão de obra qualificada tem impulsionado a gente a investir em máquinas cada vez mais eficientes para compensar”, explica.

“Uma característica muito forte na Bahia é uma grande aceitação a novas tecnologias. O Brasil como um todo é assim, mas na Bahia é de maneira mais acentuada. A agricultura autônoma está muito avançada”, diz. Segundo ele, esta é uma das alternativas utilizadas pelos produtores para lidar com margens escassas, por conta dos preços de algumas commodities internacionais.

Gigante no mercado de máquinas, a Brasif já paquerava o mercado de equipamentos agrícolas há algum tempo. O ingresso só aconteceu uma semana antes da Bahia Farm Show, com a aquisição da Maxum, tradicional concessionária com operações na Bahia e no Piauí. A operação deu origem à Maxum Brasif. Com a aquisição, a Brasif Máquinas projeta incremento de 40% na receita bruta de 2024, estimada em R$ 2,3 bilhões. De acordo com o CEO, Gustavo Avelar, a aquisição da Maxum representa uma das avenidas estratégicas de crescimento estabelecida há três anos.

“Há três anos decidimos que iríamos entrar no agro, no Nordeste, devido ao potencial de mercado no momento atual e, em especial, nessa região”, conta.

“Se você olhar para os grandes polos agrícolas brasileiros, não vai encontrar uma outra região com tanto potencial quanto o oeste da Bahia”, destaca Marcelo Macedo, diretor comercial de Agro da Maxum Brasif. Ele explica que os equipamentos da marca Case, que serão comercializados pela concessionária, possuem uma aceitação muito forte no Matopiba. “São máquinas muito fortes, que chegam a ser imponentes pelo seu tamanho, e equipadas com muita tecnologia. Essa é uma combinação muito buscada pelos produtores rurais baianos”, explica. Macedo conta que a marca é quase uma grife na região. “Eu acabei de atender um produtor que me contou, cheio de orgulho, que possui 52 colheitadeiras da marca”, disse.

Drones ocupam cada vez mais espaço na lavoura

Tem uma novidade ganhando cada vez mais espaço na prateleira das soluções que são oferecidas durante a Bahia Farm Show. Os “X” nas marcas, que estão quase se tornando sinônimos do uso de drones, estão presentes em espaços nobres da maior feira agrícola do Norte e Nordeste, ocupando áreas que já foram, num passado recente, ocupadas por empresas de aviação que ofereciam serviços de pulverização. Os aviões ainda são oferecidos na feira, assim como os veículos de pulverização autopropelidos, aquelas máquinas parecidas com tratores que espalham grandes hastes pelas plantações, mas a aposta é que os drones de vem se tornar cada vez mais frequentes no mercado.

De 2018 para cá, quando o uso começou a se difundir, o Brasil saiu de pouco mais de 100 equipamentos em operação para 10 mil. E a aposta para os próximos cinco anos é a de 15 mil novos equipamentos em operações nas lavouras. Outra mudança está no tamanho dos equipamentos, que eram de 16 litros e hoje são encontrados facilmente com 50 litros de capacidade. “Vão passar dos 100 litros em breve”, projeta Roberto Czech, diretor comercial da Megadrone, uma das empresas presentes à BFS.

Inicialmente utilizados na atividade florestal, os drones estão cada vez mais presentes num número crescente de culturas. Em muitos casos, eles são mais eficientes, afirma Czech. Para ele, entretanto, há espaço para os mais diversos tipos de equipamentos. “Vão ter situações em que será melhor pulverizar, ou até plantar, com drones. Mas, é claro, que há outras em que o pulverizador tradicional seguirá sendo útil, assim como os aviões e as outras alternativas”, avalia.

Os equipamentos também foram uma das apostas da baiana Tecnosul, que fabrica o maior drone agrícola em operação no país. A empresa – que tem unidades em Luís Eduardo Magalhães e em Ilhéus – está posicionada como uma fornecedora de tecnologia para o campo em cinco estados brasileiros. À saga no mercado de drones começou após uma visita do fundador da empresa, Luciano Wibrantz, 37 anos, à China. “No lugar de trazer para vender, pensei em fazer aqui no Brasil”, conta.

Atualmente, 60% do equipamento já foi nacionalizado e a Tecnosul trabalha para fazer no país os 40% restantes.

Segundo ele, a competição com os produtos importados, com preços competitivos é acirrada. “Para conseguirmos competir, nos posicionamos como uma empresa de serviços. Não somos vendedores de drones apenas”, explica Luciano Santos, CEO da companhia. “Ás vezes chegamos a ter um valor de mercado até mais baixo, só que o nosso diferencial não é este. Somos uma empresa brasileira, é fácil nos encontrar para o pós-venda”, explica.

Hugo Pinotti, gerente de pulverização da Baldan, explica que os equipamentos podem ser alternativas para pequenos produtores, ou, em situações pontuais, para grandes produtores. “O drone é uma ferramenta importante, mas não vai eliminar a necessidade do pulverizador, do mesmo modo que a aviação agrícola não eliminou”, aposta. “E uma solução interessante quando se pensa na pequena escala, porque tem custos menores de aquisição”, diz.

Apesar das gigantes máquinas do agro se destacarem pela robustez, a Bahia Farm Show traz também tecnologias de menor porte que fazem a diferença na hora de obter mais produtividade no campo. Quando se olha de perto, é possível encontrar máquinas e equipamentos para as áreas das pequenas propriedades agrícolas. Na Piccin, o representante comercial Ricardo Almeida explica que atender a agricultura familiar faz parte da história da empresa. “A Piccin começou pequena, fabricando equipamento pequeno e hoje já temos máquinas com 500 cavalos, então, atender os agricultores é para nós um prazer”, explica Ricardo.